A síndrome do intestino irritável é um distúrbio da comunicação entre intestino e cérebro. Ela causa dor abdominal recorrente associada à evacuação e mudança no hábito intestinal, sem lesão visível nos exames. Exame normal é parte do diagnóstico, não a negação dele, e existe tratamento.
Existe uma frase que muita gente ouve depois de meses de sintoma e uma bateria de exames: “está tudo normal”. Dita sem contexto, ela soa como “não há nada”. E aí a pessoa sai do consultório com o sintoma intacto e a sensação de que está inventando.
Só que, na síndrome do intestino irritável, o exame normal não é um resultado frustrante. Ele é parte do diagnóstico.
O que de fato acontece
A síndrome do intestino irritável é hoje entendida como um distúrbio da interação entre o intestino e o cérebro. O intestino tem uma rede nervosa própria, em comunicação constante com o sistema nervoso central. Nessa condição, essa comunicação fica desregulada: a sensibilidade visceral aumenta e a motilidade intestinal se altera.
Traduzindo: um estímulo que seria normal, como a passagem de gás, o intestino se movendo depois de uma refeição, passa a ser percebido como dor. Não há lesão para a colonoscopia mostrar, e ainda assim o funcionamento está alterado.
É a diferença entre um problema de estrutura e um problema de funcionamento. A colonoscopia é excelente para o primeiro. Ela não foi feita para enxergar o segundo.
Como o diagnóstico é feito
Por critérios clínicos bem definidos, aplicados internacionalmente. O eixo é dor abdominal recorrente relacionada à evacuação, acompanhada de mudança na frequência ou na forma das fezes, ao longo de meses.
Os exames entram para afastar outras causas que se parecem com SII e têm tratamento próprio: doença celíaca, doenças inflamatórias intestinais, intolerâncias, infecções. Por isso o roteiro é clínico primeiro, e o exame vem responder perguntas específicas.
Sinais que apontam para outra coisa
- Sangue nas fezes
- Perda de peso não intencional
- Anemia
- Sintomas que acordam a pessoa à noite
- Febre associada
- Histórico familiar de doença inflamatória intestinal ou câncer colorretal
Nenhum desses faz parte do quadro típico de SII. Quando aparecem, a investigação muda de direção.
Existe tratamento
Existe, e ele é individualizado, porque a SII se apresenta de formas diferentes: com predomínio de constipação, de diarreia, ou alternando. As frentes costumam combinar ajuste alimentar orientado, manejo do eixo intestino-cérebro e, quando indicado, medicação dirigida ao sintoma predominante.
Vale dizer com clareza: dietas restritivas amplas conduzidas por conta própria costumam piorar o quadro a médio prazo, além de trazerem risco nutricional. Restrição alimentar em SII é ferramenta, e ferramenta tem indicação e tempo de uso.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico de SII exige avaliação individual e a exclusão de outras causas.