O que é Doença Celíaca?
A doença celíaca é uma condição autoimune crônica desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. O glúten, proteína presente no trigo, centeio, cevada e seus derivados, provoca uma resposta imunológica que ataca as vilosidades do intestino delgado, causando inflamação e má absorção de nutrientes.
Essa condição afeta aproximadamente 1% da população mundial, embora muitos casos permaneçam não diagnosticados devido à variedade de apresentações clínicas. A doença pode se manifestar em qualquer idade, desde a infância até a idade adulta, e apresenta forte componente hereditário - parentes de primeiro grau de celíacos têm risco 10 vezes maior de desenvolver a condição.
A doença celíaca não é uma simples intolerância alimentar, mas uma doença autoimune séria que, quando não tratada adequadamente, pode levar a complicações graves. O único tratamento eficaz é a exclusão total e permanente do glúten da alimentação, o que permite a regeneração do intestino e a resolução dos sintomas.
Sintomas da Doença Celíaca
- Diarreia crônica ou constipação persistente
- Distensão abdominal e gases excessivos
- Dor abdominal recorrente e cólicas
- Perda de peso inexplicada ou dificuldade para ganhar peso
- Fadiga crônica e fraqueza muscular
- Anemia ferropriva que não responde à suplementação
- Osteopenia ou osteoporose precoce
- Aftas recorrentes na boca
- Dermatite herpetiforme (erupção cutânea com bolhas e coceira)
- Alterações de humor, ansiedade e depressão
- Atraso no crescimento e puberdade (em crianças)
- Infertilidade e abortos de repetição
Causas da Doença Celíaca
A doença celíaca resulta da combinação de predisposição genética e exposição ao glúten. Os genes HLA-DQ2 e HLA-DQ8 estão presentes em praticamente todos os celíacos, embora sua presença isolada não seja suficiente para desenvolver a doença - cerca de 30% da população possui esses genes, mas apenas 1% desenvolve celíaca.
Quando o glúten é ingerido por indivíduos suscetíveis, fragmentos de suas proteínas (gliadina) atravessam a barreira intestinal e são reconhecidos pelo sistema imunológico como invasores. Isso desencadeia uma resposta inflamatória que causa a destruição das vilosidades intestinais, estruturas responsáveis pela absorção de nutrientes.
Fatores ambientais como infecções gastrointestinais, introdução precoce ou tardia do glúten na alimentação infantil, alterações na microbiota intestinal e estresse podem atuar como gatilhos para o desenvolvimento da doença em indivíduos geneticamente predispostos. A doença celíaca está associada a outras condições autoimunes como diabetes tipo 1, tireoidite e hepatite autoimune.
Diagnóstico
O diagnóstico da doença celíaca requer uma abordagem sistemática com exames laboratoriais e histológicos. Os exames sorológicos iniciais incluem a dosagem de anticorpos anti-transglutaminase tecidual IgA (tTG-IgA), considerado o teste mais sensível e específico, e anticorpos anti-endomísio (EMA-IgA). A IgA total também deve ser medida, pois celíacos podem ter deficiência de IgA.
A biópsia do intestino delgado através de endoscopia digestiva alta é o padrão-ouro para confirmação diagnóstica. São coletadas múltiplas amostras do duodeno para avaliar o grau de atrofia das vilosidades, hiperplasia das criptas e infiltração de linfócitos. A classificação de Marsh gradua a severidade das lesões.
É fundamental que o paciente esteja consumindo glúten regularmente por pelo menos 6-8 semanas antes dos exames, pois a dieta sem glúten pode normalizar os resultados e dificultar o diagnóstico. O teste genético (HLA-DQ2/DQ8) tem alto valor preditivo negativo - se ausentes, praticamente excluem a possibilidade de doença celíaca.
Tratamento
O único tratamento eficaz para a doença celíaca é a dieta sem glúten rigorosa e permanente. Isso significa eliminar completamente o trigo, centeio, cevada e todos os produtos que os contenham ou possam ter contaminação cruzada. Mesmo pequenas quantidades de glúten podem causar danos intestinais, mesmo sem sintomas aparentes.
A adesão à dieta requer atenção constante à leitura de rótulos, escolha de alimentos naturalmente sem glúten (arroz, milho, quinoa, batata, carnes, peixes, frutas, verduras) e cuidado com contaminação cruzada em cozinhas compartilhadas. Produtos certificados sem glúten são alternativas seguras para substituir pães, massas e outros itens.
O acompanhamento médico regular inclui monitoramento dos anticorpos (que devem negativar com a dieta), avaliação da recuperação intestinal, rastreamento e correção de deficiências nutricionais (ferro, cálcio, vitamina D, B12, ácido fólico) e avaliação da densidade óssea. A orientação de nutricionista especializado é fundamental para garantir uma dieta equilibrada e manter a qualidade de vida.
Perguntas Frequentes
A doença celíaca tem cura?
A doença celíaca não tem cura, mas pode ser completamente controlada com uma dieta rigorosa sem glúten por toda a vida. Com a exclusão total do glúten, o intestino se recupera, os sintomas desaparecem e o risco de complicações diminui significativamente. O acompanhamento médico regular é essencial para monitorar a adesão à dieta e a recuperação intestinal.
Quais exames são necessários para diagnosticar a doença celíaca?
O diagnóstico inclui exames de sangue para detectar anticorpos específicos (anti-transglutaminase tecidual IgA e anti-endomísio) e biópsia do intestino delgado através de endoscopia digestiva alta para avaliar as alterações nas vilosidades intestinais. É fundamental que o paciente esteja consumindo glúten regularmente durante os exames para resultados confiáveis.
Quais são as complicações da doença celíaca não tratada?
A doença celíaca não tratada pode levar a complicações graves como osteoporose, anemia crônica, infertilidade, problemas neurológicos, dermatite herpetiforme, deficiências nutricionais severas e aumento do risco de linfoma intestinal e outros tipos de câncer. O diagnóstico precoce e tratamento adequado previnem essas complicações.
Crianças podem ter doença celíaca?
Sim, a doença celíaca pode se manifestar em qualquer idade, desde a introdução do glúten na alimentação. Em crianças, os sintomas incluem diarreia crônica, distensão abdominal, baixo ganho de peso, irritabilidade e atraso no crescimento. O diagnóstico precoce é crucial para garantir o desenvolvimento adequado da criança.
Celíacos podem consumir aveia?
A aveia pura não contém glúten, mas frequentemente está contaminada com trigo, centeio ou cevada durante o cultivo ou processamento. Celíacos podem consumir aveia certificada sem glúten, porém uma pequena porcentagem pode reagir às proteínas da própria aveia (aveninas). Recomenda-se introduzir gradualmente sob orientação médica.
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A Dra. Camila Coradi oferece atendimento especializado em gastroenterologia em Belo Horizonte, com foco em diagnóstico preciso e tratamento personalizado para doença celíaca.
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