O que é Esôfago de Barrett?
O Esôfago de Barrett é uma condição em que o tecido que reveste a porção inferior do esôfago sofre uma transformação, substituindo o epitélio escamoso normal (semelhante à pele) por um epitélio colunar semelhante ao do intestino. Essa mudança, chamada de metaplasia intestinal, é uma resposta adaptativa do corpo à exposição crônica ao ácido gástrico.
Esta condição é considerada uma complicação do refluxo gastroesofágico (DRGE) de longa duração. Estima-se que cerca de 10-15% dos pacientes com DRGE crônico desenvolvam Esôfago de Barrett. A condição recebeu este nome em homenagem ao cirurgião britânico Norman Barrett, que a descreveu em 1950.
A importância clínica do Esôfago de Barrett reside no fato de ser uma condição pré-maligna, ou seja, aumenta o risco de desenvolvimento de adenocarcinoma de esôfago. No entanto, é importante ressaltar que a maioria dos pacientes com Barrett nunca desenvolverá câncer, especialmente quando há acompanhamento médico adequado.
Sintomas e Sinais de Alerta
- O Esôfago de Barrett em si geralmente não causa sintomas específicos
- Sintomas de refluxo crônico: azia persistente, regurgitação ácida
- Dificuldade para engolir (disfagia) - sinal de alerta
- Dor ao engolir (odinofagia)
- Perda de peso não intencional - sinal de alerta
- Vômitos com sangue ou fezes escuras - sinal de alerta
- Anemia inexplicada
- Paradoxalmente, alguns pacientes têm melhora do refluxo (o tecido metaplásico é mais resistente ao ácido)
Fatores de Risco
O principal fator de risco para o desenvolvimento do Esôfago de Barrett é a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) crônica e de longa duração, especialmente quando presente por mais de 5 a 10 anos. Quanto mais tempo e mais intensos os sintomas de refluxo, maior o risco.
Outros fatores de risco importantes incluem: idade acima de 50 anos, sexo masculino (homens têm risco 2-3 vezes maior), obesidade (especialmente a obesidade abdominal, que aumenta a pressão sobre o estômago), tabagismo atual ou passado, e histórico familiar de Esôfago de Barrett ou câncer de esôfago.
A etnia também influencia: pessoas de ascendência caucasiana têm maior risco comparadas a outras etnias. Curiosamente, a infecção por H. pylori, particularmente de cepas CagA+, parece ter efeito protetor contra o Barrett e o adenocarcinoma de esôfago.
Diagnóstico
O diagnóstico do Esôfago de Barrett é feito através da endoscopia digestiva alta com biópsia. Durante o exame, o médico pode visualizar a área de mucosa alterada, que apresenta uma coloração rosa-salmão diferente do tecido esofágico normal (mais esbranquiçado).
A confirmação diagnóstica requer análise histopatológica (biópsia) demonstrando a presença de metaplasia intestinal especializada, caracterizada pela presença de células caliciformes. As biópsias são coletadas de forma sistemática (protocolo de Seattle) para avaliar toda a extensão do segmento afetado.
Além de confirmar o Barrett, a biópsia é essencial para verificar a presença de displasia (alterações celulares pré-cancerosas), que é classificada em: sem displasia, displasia de baixo grau ou displasia de alto grau. Essa classificação determina a frequência do acompanhamento e a necessidade de tratamento.
Tratamento e Acompanhamento
O tratamento do Esôfago de Barrett tem dois objetivos principais: controlar o refluxo gastroesofágico e prevenir a progressão para câncer através de vigilância ou intervenção. O controle do refluxo é feito com inibidores de bomba de prótons (IBPs) em doses adequadas, geralmente mantidos a longo prazo.
O programa de vigilância endoscópica é fundamental e envolve endoscopias periódicas com biópsias para detectar precocemente o desenvolvimento de displasia. Para Barrett sem displasia, recomenda-se endoscopia a cada 3-5 anos. Se houver displasia de baixo grau, o intervalo diminui para 6-12 meses.
Quando há displasia de alto grau ou câncer precoce, técnicas de tratamento endoscópico podem ser utilizadas, como a ablação por radiofrequência (que "queima" o tecido anormal) ou a ressecção endoscópica da mucosa. Essas técnicas permitem eliminar o tecido de Barrett com excelentes resultados e evitam a necessidade de cirurgia na maioria dos casos. A Dra. Camila Coradi acompanha pacientes com Barrett, orientando sobre o melhor plano de vigilância e tratamento.
Perguntas Frequentes sobre Esôfago de Barrett
O que é Esôfago de Barrett?
O Esôfago de Barrett é uma condição em que o revestimento normal do esôfago (epitélio escamoso) é substituído por um tipo de tecido semelhante ao do intestino (epitélio colunar com metaplasia intestinal). É uma complicação do refluxo gastroesofágico crônico.
O Esôfago de Barrett é câncer?
Não, o Esôfago de Barrett não é câncer, mas é considerado uma condição pré-maligna. Pessoas com Barrett têm um risco aumentado de desenvolver adenocarcinoma de esôfago, embora esse risco seja relativamente baixo (0,5-1% ao ano). Por isso, é necessário acompanhamento regular.
Quem tem maior risco de desenvolver Esôfago de Barrett?
Os principais fatores de risco incluem: refluxo gastroesofágico crônico (mais de 5-10 anos), idade acima de 50 anos, sexo masculino, obesidade (especialmente abdominal), tabagismo e histórico familiar de Barrett ou câncer de esôfago.
O Esôfago de Barrett tem cura?
O Barrett pode ser tratado e, em alguns casos, eliminado com técnicas como ablação por radiofrequência ou ressecção endoscópica. No entanto, mesmo após tratamento, há risco de recorrência, sendo necessário acompanhamento contínuo.
Com que frequência devo fazer endoscopia se tenho Barrett?
A frequência depende da presença e grau de displasia. Barrett sem displasia: endoscopia a cada 3-5 anos. Displasia de baixo grau: a cada 6-12 meses. Displasia de alto grau: requer tratamento ou vigilância muito próxima. Seu médico definirá o intervalo ideal para seu caso.
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A Dra. Camila Coradi oferece atendimento especializado em gastroenterologia em Belo Horizonte, com foco em diagnóstico preciso e acompanhamento adequado do Esôfago de Barrett.
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