O que é SIBO?
O SIBO (Small Intestinal Bacterial Overgrowth), ou Supercrescimento Bacteriano no Intestino Delgado, é uma condição caracterizada pelo aumento excessivo de bactérias no intestino delgado, uma região que normalmente contém uma quantidade relativamente baixa de microrganismos. Enquanto o intestino grosso abriga trilhões de bactérias, o intestino delgado deve manter uma população bacteriana reduzida para permitir a absorção adequada de nutrientes.
Quando ocorre o supercrescimento, as bactérias fermentam os carboidratos antes que possam ser absorvidos, produzindo gases (hidrogênio e metano) que causam distensão, desconforto abdominal e alterações no trânsito intestinal. Além disso, essas bactérias competem pelos nutrientes e podem danificar a mucosa intestinal, levando à má absorção e deficiências nutricionais.
O SIBO é uma condição frequentemente subdiagnosticada que pode estar por trás de diversos sintomas gastrointestinais crônicos. Estima-se que afete significativamente pacientes com síndrome do intestino irritável, doenças inflamatórias intestinais, diabetes e outras condições que alteram a motilidade ou a anatomia do trato digestivo.
Sintomas do SIBO
- Distensão abdominal e inchaço, especialmente após refeições
- Excesso de gases e flatulência
- Dor e desconforto abdominal tipo cólica
- Diarreia crônica ou alternância com constipação
- Náuseas e sensação de plenitude precoce
- Fadiga crônica e sensação de cansaço
- Confusão mental e dificuldade de concentração (brain fog)
- Perda de peso não intencional
- Deficiências nutricionais (B12, ferro, vitaminas lipossolúveis)
- Dores articulares e sintomas extraintestinais
- Rosácea e outras manifestações cutâneas
Causas do SIBO
O SIBO desenvolve-se quando os mecanismos naturais de controle bacteriano do intestino delgado falham. A motilidade intestinal é fundamental para varrer as bactérias em direção ao cólon; condições que a comprometem, como diabetes, hipotireoidismo, esclerodermia e uso crônico de opioides, aumentam o risco de SIBO.
A hipocloridria (baixa produção de ácido gástrico), seja por gastrite atrófica ou uso prolongado de inibidores de bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol), reduz a barreira ácida que normalmente elimina bactérias ingeridas. Alterações anatômicas como cirurgias intestinais, divertículos, estenoses, aderências e síndrome da alça cega também criam ambientes propícios ao supercrescimento.
A disfunção da válvula ileocecal, que separa o intestino delgado do grosso, permite o refluxo de bactérias colônicas. Imunodeficiências, pancreatite crônica com insuficiência enzimática e doenças como doença de Crohn, cirrose e síndrome do intestino irritável são outros fatores de risco importantes para o desenvolvimento do SIBO.
Diagnóstico
O diagnóstico do SIBO é realizado principalmente através do teste respiratório (breath test), um exame não invasivo e bem tolerado. O paciente ingere uma solução de lactulose ou glicose e, ao longo de 2-3 horas, são coletadas amostras de ar expirado em intervalos regulares para medição dos níveis de hidrogênio e metano.
Um aumento precoce nos níveis de hidrogênio (20 ppm ou mais acima do basal em menos de 90 minutos) indica fermentação bacteriana no intestino delgado. O metano elevado caracteriza o IMO (Intestinal Methanogen Overgrowth), associado principalmente à constipação, e requer abordagem terapêutica específica.
A preparação para o teste inclui dieta restritiva 24 horas antes, jejum de 12 horas e suspensão de antibióticos por pelo menos 2 semanas. O aspirado e cultura do jejuno é considerado padrão-ouro, mas é invasivo e pouco utilizado na prática clínica. A avaliação clínica detalhada, história alimentar e investigação de causas subjacentes complementam o diagnóstico.
Tratamento
O tratamento do SIBO é multimodal, combinando antibioticoterapia, modificações dietéticas e abordagem da causa subjacente. A rifaximina é o antibiótico de escolha para SIBO com predomínio de hidrogênio, com ciclos de 10-14 dias. Para casos com metano elevado, associa-se neomicina ou metronidazol para maior eficácia.
A dieta baixa em FODMAPs é frequentemente prescrita durante o tratamento para reduzir os substratos fermentáveis. A dieta elementar (fórmula pré-digerida) por 2-3 semanas é uma alternativa para casos refratários. Após o tratamento, a reintrodução alimentar gradual é orientada para identificar gatilhos individuais.
A prevenção de recorrência é crucial e inclui procinéticos para melhorar a motilidade intestinal (especialmente à noite, quando o complexo motor migratório é mais ativo), revisão de medicamentos que possam contribuir para o SIBO, tratamento de condições associadas e, em alguns casos, probióticos específicos. O uso de agentes herbáceos antimicrobianos pode ser considerado em protocolos integradores.
Perguntas Frequentes
O que causa o SIBO?
O SIBO pode ser causado por alterações na motilidade intestinal, deficiência de ácido gástrico, alterações anatômicas (cirurgias, divertículos), uso prolongado de inibidores de bomba de prótons, doenças sistêmicas como diabetes e hipotireoidismo, síndrome do intestino irritável e disfunção da válvula ileocecal. Qualquer condição que altere o ambiente intestinal normal pode predispor ao SIBO.
Como é feito o diagnóstico do SIBO?
O diagnóstico padrão é o teste respiratório com lactulose ou glicose. O paciente ingere o substrato e são coletadas amostras de ar expirado em intervalos regulares para medir hidrogênio e metano. Níveis elevados desses gases indicam fermentação bacteriana anormal no intestino delgado. O teste é não invasivo e realizado em consultório.
SIBO tem cura ou pode voltar?
O SIBO pode ser tratado com sucesso, mas a recorrência é comum, especialmente se a causa subjacente não for identificada e tratada. Aproximadamente 40-50% dos pacientes podem ter recidiva. Por isso, é importante não apenas tratar a infecção bacteriana, mas também abordar os fatores predisponentes e fazer acompanhamento regular.
Qual a relação entre SIBO e síndrome do intestino irritável?
Estudos mostram que até 80% dos pacientes com síndrome do intestino irritável (SII) podem ter SIBO. Os sintomas são muito semelhantes: inchaço, gases, dor abdominal e alteração do hábito intestinal. O tratamento do SIBO frequentemente melhora os sintomas da SII. Por isso, é importante investigar SIBO em pacientes com diagnóstico de SII refratário.
Quais alimentos devo evitar se tenho SIBO?
Durante o tratamento, recomenda-se uma dieta baixa em FODMAPs (carboidratos fermentáveis), limitando alimentos como cebola, alho, leguminosas, trigo, lactose, frutas ricas em frutose e adoçantes artificiais. A dieta elementar ou específica para SIBO também pode ser indicada. O plano alimentar deve ser individualizado e temporário, com reintrodução gradual após o tratamento.
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