O que são as Doenças Inflamatórias Intestinais

As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) reúnem condições em que o sistema imunológico passa a atacar de forma crônica a parede do intestino. As duas principais são a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa. Elas não são consequência de alimentação errada nem de estresse, embora os dois possam influenciar a intensidade dos sintomas, e costumam evoluir em ciclos: períodos de atividade intercalados com períodos de remissão.

A Dra. Camila Coradi é preceptora do ambulatório de Doenças Inflamatórias Intestinais e coordenadora da equipe de gastroenterologia do Hospital Orizonti, com atuação dedicada ao acompanhamento dessas condições em Belo Horizonte.

Sinais que merecem investigação

  • Diarreia que persiste por semanas, com ou sem sangue
  • Sangue ou muco nas fezes
  • Dor abdominal recorrente, frequentemente em cólica
  • Perda de peso sem explicação
  • Anemia identificada em exame de rotina
  • Cansaço importante e desproporcional à rotina
  • Sintomas que acordam a pessoa durante a noite
  • Manifestações fora do intestino: dor articular, lesões de pele e inflamação ocular

Sintomas noturnos e sangramento são os que mais diferenciam uma DII de quadros funcionais como a síndrome do intestino irritável, que não costuma acordar o paciente nem causar sangramento.

Crohn e Retocolite: o que separa as duas

A Retocolite Ulcerativa acomete apenas o cólon e o reto, com inflamação superficial e contínua, que progride a partir do reto. Já a Doença de Crohn pode atingir qualquer segmento do trato digestivo, da boca ao ânus, com inflamação transmural, que atravessa todas as camadas da parede, e distribuição descontínua.

Essa distinção não é detalhe acadêmico: ela muda o que se investiga, quais medicamentos fazem sentido e quais complicações precisam ser vigiadas. É por isso que a biópsia durante a colonoscopia tem papel central no diagnóstico.

Como o diagnóstico é construído

Não existe exame isolado que feche o diagnóstico de DII. Ele nasce da combinação de várias frentes:

  • História clínica detalhada e exame físico
  • Exames de sangue, incluindo marcadores de inflamação e avaliação de anemia
  • Calprotectina fecal, que ajuda a distinguir inflamação real de quadro funcional
  • Colonoscopia com biópsias, peça central para diferenciar Crohn de retocolite
  • Exames de imagem do intestino delgado, quando há suspeita de Crohn
  • Exclusão de causas infecciosas que imitam o quadro

O que o tratamento busca hoje

O objetivo deixou de ser apenas aliviar sintomas. O alvo atual é a remissão sustentada com cicatrização da mucosa: alguém pode se sentir bem e ainda ter inflamação ativa, e é essa inflamação silenciosa que produz as complicações ao longo dos anos.

As estratégias variam conforme o tipo, a extensão e a gravidade da doença, e são definidas caso a caso. O acompanhamento regular é o que permite ajustar a conduta antes de uma crise se instalar, e é também o que possibilita monitorar a segurança do tratamento ao longo do tempo.

Pessoas com DII de longa data têm indicação de vigilância periódica para câncer colorretal, o que também é organizado dentro do acompanhamento.

Perguntas Frequentes

O que são Doenças Inflamatórias Intestinais?

DII é o nome que reúne condições em que o sistema imunológico ataca de forma crônica a parede do intestino. As duas principais são a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa. Não são causadas por alimentação ou estresse, embora ambos possam influenciar os sintomas, e evoluem em ciclos de atividade e remissão.

Qual a diferença entre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa?

A Retocolite acomete apenas o cólon e o reto, com inflamação superficial e contínua. A Doença de Crohn pode atingir qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, com inflamação que atravessa todas as camadas da parede intestinal e aparece de forma descontínua. Essa diferença muda a investigação, o tratamento e o risco de complicações.

Quais sintomas devem levantar a suspeita de DII?

Diarreia que persiste por semanas, sangue nas fezes, dor abdominal recorrente, perda de peso sem explicação, anemia, cansaço importante e sintomas que acordam a pessoa à noite. Manifestações fora do intestino, como dor articular, lesões de pele e inflamação ocular, também podem fazer parte do quadro.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe exame único que feche o diagnóstico. Ele resulta da combinação entre história clínica, exames de sangue e fezes (incluindo calprotectina fecal), colonoscopia com biópsias e, quando necessário, exames de imagem do intestino delgado. A biópsia é peça central para diferenciar Crohn de retocolite.

DII tem cura?

São doenças crônicas, sem cura definitiva até o momento. O objetivo do tratamento é atingir e manter a remissão, incluindo a cicatrização da mucosa intestinal, prevenindo complicações e cirurgias. Com acompanhamento adequado, a maioria das pessoas mantém uma vida normal e ativa.

Preciso fazer dieta restritiva?

Não existe uma dieta única para DII. Durante as crises, alguns ajustes ajudam a reduzir sintomas; fora delas, restrição ampla e prolongada tende a causar mais prejuízo nutricional do que benefício. A orientação alimentar precisa ser individual e acompanhar a fase da doença.

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A Dra. Camila Coradi acompanha pacientes com Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa em Belo Horizonte, com foco em diagnóstico preciso, controle sustentado da inflamação e qualidade de vida.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico ou o tratamento indicados por um profissional.